Crateras de Meteoritos no Brasil
Crateras de impacto são estruturas geologicamente formadas quando
um grande Meteoróide, Asteróide ou Cometa choca-se com a
superfície de um planeta, satélite e asteróides.
Todos os corpos do Sistema Solar interno foram pesadamente bombardeados
por meteoritos ao longo de suas histórias. As superfícies da
Lua, Marte e Mercúrio onde outros processos geológicos
aparentemente pararam há milhões de anos atrás, as
cicatrizes deste bombardeio estão muito claramente visíveis
em suas superfícies conforme atestam as imagens colhidas por sondas
espaciais e mesmo atrvés de telescópios. Na Terra, que deve
ter sido impactada até mesmo mais pesadamente que a Lua, as
crateras são continuamente apagadas através dos processos físico-químicos,
pela erosão e redeposição de material como também
por novas superfícies de origem vulcânicas e atividade tectônica.
Sem dúvida, determinados impactos apresentam efeitos
exclusivamente metamórficos associados a crateras de choque de
meteorito, porque nenhum outro mecanismo terrestre, inclusive vulcânico,
produz as pressões extremamente altas que os causam. Eles incluem
quebra de cones, múltiplos conjuntos de características
microscópicas em quartzo e feldspato granulado, vidro de
diaplectic, e alta pressão fases minerais como stishovite.
Até agora foi comprovadamente reconhecida mais ou menos cerca de
120 crateras de impactos na Terra, a maioria em terrenos geologicamente
estáveis da América do Norte, Europa e Austrália onde
a maioria das explorações acontece a muitos anos. Imagem de
satélites em órbita da Terra tem ajudado a identificar
estruturas em localizações mais distantes e muitas vezes de
difícil acesso para adicional investigação.
Como vimos acima, algumas características básicas podem nos
''falar'' diretamente sobre a origem de uma cratera. Dessa forma existem
as:
Crateras Comprovadas: quando pedaços ou fragmentos de meteoritos são encontrados na região da cratera;
Crateras Prováveis: quando há registro de estruturas dos efeitos do impacto, principalmente o metamorfismo de choque sobre a rocha alvo, tais como, cones de estilhaçamento (shatter cones) e minerais formados em altas pressões (coesita e estishovita);
Crateras Possíveis: quando existem feições morfológicas típicas como depressões de formato aproximadamente circular, e a razão diâmetro/profundidade da cratera sejam compatíveis, mas onde o metamorfismo de choque não está caracterizado.
Anos atrás era pensado que as crateras formadas por impactos de
corpos celestes estavam diretamente associadas à descoberta de
fragmentos meteoríticos que comprovassem a sua origem. Todavia,
atualmente sabemos que na formação das grandes crateras,
quase sempre, nenhum fragmento sobrevive intacto. Nesses eventos de grande
massa causados por enormes meteoritos, a pressão e temperaturas
geradas pelas ondas de choques são tremendamente altas e vaporiza
inteiramente o meteorito e o solo, formando uma mistura com a rocha
atingida. Dessa forma, após muitos milhares de anos qualquer
componente meteorítico detectável foi erodido pelos agentes
físico-químicos existentes em nosso Planeta.
Em alguns casos, uma relativa quantidade de elementos siderólitos
pode ser detectada nas rochas fundidas pelo impacto dentro das crateras
gigantes como se fosse uma assinatura de sua origem meteorítica.
Quando acontece um impacto, uma onda de choque é gerada e penetra
radialmente na superfície, para baixo e para os lados, comprimindo
e empurrando o material imediatamente próximo. Em conseqüência,
forma-se a parede da cratera e algumas camadas de solo são
expelidas, fazendo com que fiquem em ordem inversa ao restante da região.
Nas partes mais profundas da cratera, as rochas têm suas estruturas
modificadas num processo de metamorfismo provocado por choque. Assim,
temos como resultado final um astroblema visível, isto é,
uma cratera de impacto, cujas bordas são compostas por camadas
invertidas do solo que se depositaram após serem expulsas pela onda
de choque, e uma zona de rochas metamórficas na região
central e até mesmo uma elevação do terreno central
da cratera. Como o meteorito pode ter sido parcialmente derretido e
ejetado quando ocorreu o retorno da onda de choque, podem ser encontrados
fragmentados na região externa da cratera, que pode ser tanto do
material ejetado como de rebote e/ou de ambos.
As altas pressões produzidas pelas fortes ondas de choque e calor
gerado durante os impactos de corpos vindos do espaço com as superfícies
que elese se impactam, provocam deslocamentos singulares na estrutura dos
grãos de quartzo das rochas das áreas atingidas. Tais
deslocamentos se desenvolvem ao longo de direções
preferenciais da estrutura dos cristais de quartzo, que se apresentam sob
o microscópio petrográfico como conjuntos de lamelas
paralelas. Este tipo singular de deformação da estrutura do
quartzo, pela grande quantidade de energia necessária para sua
formação, somente pode ser gerada nas áreas de
impacto de bólidos celestes. Assim, seu reconhecimento na superfície
da Terra, constitui forte evidência da presença de antigas
estruturas de impacto nos locais onde ocorrem.
Crateras no Brasil
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O Brasil apresenta várias estruturas em formato circulares
muito semelhantes ao das crateras de impacto. Algumas dessas cicatrizes
já foram relativamente bem estudadas e reconhecidas como sendo
crateras meteoríticas, e pelo menos quatro delas já foram
reconhecidas como astroblemas. Outras estruturas morfológicas em
formato anelar apresentam algumas características semelhantes a
das crateras de impacto, mas ainda são necessários maiores
estudos para se chegar a um consenso conclusivo. |
Nota: Na imagem acima não estão localizadas todas as crateras brasileiras.
| Cratera | Localidade | Latitude | Longitude | Dimensão | Idade (milhões de anos) | Elevação Central | Situação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Domo de Araguainha | Entre as cidade de Araguainha e Ponte Branca, na divisa dos Estados de Goiás e Mato Grosso | 16°47'S | 52°59'W | 40 km | 247.0 ± 5.5 Cerca de 300 ma | sim | Comprovada |
| Serra da Cangalha | Tocantins | 8°5'S | 46°52'W | 12 km | 200 ma | sim | Comprovada |
| Domo Vargeão | Santa Catarina | 26° 50'S | 52° 7'W | 12 km | 70 ma | sim | Comprovada |
| Riachão Ring | Maranhão | 7º46`S | 46º39`W | 4.5 km | 200 ma | sim | Comprovada |
| São Miguel do Tapuio | Piauí | 5°38'S | 41°24'W | +/- 20 km | pré-abertura do Oceano Atlântico | sim | Em estudo |
| Colônia | Parelheiros - São Paulo/SP | 23º48`S | 46º42`W | 3,64 km | Período terciário (?) 36.3 ma | não | Possível |
| Cerro Jarau | Rio Grande do Sul | 30º12`S | 56º33`W | 5.5 Km | 117 ± 17 ma | sim | Possível |
| Piratininga | São Paulo | 22º30`S | 49º10`W | 12 Km | 117 ± 17 ma | sim | Possível |
| Inajá (Inajah) | Pará | 8º40`S | 51º 0`W | 6 km | (?) | Possível | |
| Curuçá | Próximo ao rio Curuçá, no Alto Solimões Amazonas. Borda entre Brasil e Peru | 05º11'S | 71º38'W | 1 km | Impacto acontecido na manhã de 13 de agosto de 1930 | (?) | Em estudo |
| Ubatuba | Litoral Norte de São Paulo | 23º19'S | 44º54'W | 1 km | Pleistoceno | (?) | Em estudo |
Encontramos na internet uma pequena referência sobre uma talvez possível cratera de impacto do Brasil em 1995 no Nordeste do Brasil, cujo teor é o seguinte: Cientistas no estado do Piauí no nordeste do Brasil revelam a existência de uma cratera causada por um impacto de meteorito logo após a que foi descoberta na floresta Amazônica informado haver ocorrido um luminoso rastro pelo céu. Os investigadores não tem certeza se a cratera, 16 pés de diâmetro e 32 pés de profundidade, foi feita por um meteorito ou um pedaço de um cometa. O Físico Paulo Frota da Universidade do Piauí acredita que foi causado por um bloco de gelo de um cometa porque a vegetação circunvizinha não foi queimada e a beira da cratera não é elevada. Esta possível estrutura de impacto localizada no estado do Piauí, na região da Chapada Mangabeira, apresenta forma elíptica (9,65 x 8,90 km) e em imagem de satélite resulta evidente sua presença na região. A datação dessa estrutura situa-se hipoteticamente entre o Paleozóico tardio e o Mezozóico (cerca de 220 milhões de anos). Cerca de 300 km mais ao Norte se encontra duas outras estruturas de impacto com mais ou menos a mesma idade: a Serra da Cangalha (diametro 13 km) e Riachao Ring (diametro 4,5 km).
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Uma outra suposta cratera de impacto foi encontrada no município de Aimorés em Minas Gerais, onde há um acidente geográfico com a forma aproximada de um círculo. No site http://www.geocities.com/aimores1203/index.html o autor apresenta algumas figuras e mapas dando sua localização, forma e relevo. Esta formação, que o autor chma de Cratera de Aimorés, está às margens do Rio Doce quase na fronteira com o estado do Espírito Santo. |
Na América do Sul duas crateras de impacto foram localizadas e confirmadas: na Argentina (Campol Cielo e Rio Cuarto) e uma terceira no Chile (Monturaqui). De todas as crateras de impacto na América do Sul, o Domo de Araguainha é a maior delas, possivelmente a mais antiga e a que foi submetida a estudos geológicos mais detalhados.
IMPORTANTE: Se você sabe de alguma cratera possivelmente de impacto que não consta de nossa relação ou tem informações adicionais sobre as crateras aqui relacionadas, por favor entre conosco: rgregio@uol.com.br
Fontes consultadas para Crateras de Impacto e Referências:
Referências:
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